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domingo, 5 de outubro de 2008

32 mais 32 igual a 64

A cidade de São Paulo é uma espécie de pequena amostra da formação social do nosso país, aqui se reúnem cidadãos de todas a s partes do país e do mundo em busca de oportunidades, talvez o que traduza a identidade dessa cidade seja justamente esse mosaico plural de etnias.

Entretanto na minha cidade natal surgiu e proliferou a elite mais reacionária e anti-nacionalista presente em nosso Brasil, algumas interpretações tentam elucidar o fenômeno, como por exemplo, a formação de uma elite comerciante no século XIX durante as exportações de café muito mais interessada e antenada ao comércio com os ingleses e o consumo opulento nos padrões europeus do que num desenvolvimento endógeno

Outra interpretação está relacionada aos imigrantes que vieram a esse rincão e prosperaram no período de grande crescimento econômico e industrial entre as décadas de 1930 e 1980 transformando-os em pequenos “self-made-mans”, isto é, uma classe média pequena proprietária e orgulhosa dos seus “feitos” e avessa a qualquer mudança social ou causa coletiva.

Uma análise histórica dos momentos cruciais da vida política nacional nos remete a entender de forma emblemática o comportamento desses setores da sociedade paulistana como o próprio movimento de 1932, apesar de ser aparentemente um movimento democrático, tinha um caráter saudosista em relação à política oligárquica da velha república do café com leite, o curioso nesse caso é que a revolução varguista de 1930 teve um caráter altamente modernizador do qual impulsionou a própria economia paulista.

Outro momento emblemático foi o golpe de 1964, um dos episódios mais tristes da história do nosso país, onde nunca é demais lembrar, teve seu respaldo e impulso final quando nobres senhoras católicas realizaram a passeata “Deus e a família pela liberdade” liderada por Leonor, primeira dama do governo do Estado, além é claro do forte apoio do jornal O Estado de São Paulo a marcha que acelerou o processo que culminou na “revolução” de 31 de março.

Em 1989, lembro como se fosse hoje do apoio entusiasmado a Fernando Collor, iniciando o processo de domínio do mercado financeiro nas decisões nacionais, contando obviamente com o deslumbre da elite e classe média de São Paulo, talvez o que esses setores médios nem desconfiam é que eles foram vítimas desse processo de desnacionalização da economia nacional.

Também nunca é demais lembrar que esse caldo sócio cultural criou alguns fenômenos políticos como o Adhemarismo, Janismo e mais recentemente o Malufismo.

Outro detalhe a ser lembrado é postura elitista da própria Universidade de São Paulo que entre outras “obras” renegou o passado varguista criando a idéia de populismo, além de ter sido parte do berço do PSDB e a “banda podre” do próprio PT.

Agora em 2008, os mesmos estão “ouriçados” com Kassab, também pudera eles estão com os nervos a flor da pele com alta popularidade do presidente Lula!

Enfim essa é minha cidade e minha realidade. Quem sabe eu tenha mais sorte na próxima encarnação?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O 11 DE SETEMBRO NO ALTIPLANO

Já ouvi dizer que a História se repete como caricatura e de fato ela vem se repetindo nesses confins latino-americanos, exatamente hoje faz 35 anos que a experiência democrática e socialista foi interrompida no Chile por uma ditadura cruel comandada por um covarde e repugnante (camundongo lacaio, como, aliás, existem muitos por essas bandas tupiniquins) ser chamado Augusto Pinochet numa conjuntura que envolveu a elite econômica do país, a chamada classe média chilena com suas respectivas forças políticas, no caso a democracia cristã e o partido nacionalista, além do apoio evidente da CIA naqueles anos de guerra fria.

O curioso é que o processo de radicalização das forças de direita no Chile chegou ao seu viés mais violento diante do desespero das mesmas, após a ampliação da base de sustentação da Unidade Popular –U.P. (base de apoio do governo Allende), durante as eleições municipais dois anos depois, em que a mesma U.P., conseguiu eleger Allende com 34% dos votos válidos.

Pois bem, os acontecimentos graves ocorridos esses dias na Bolívia promovidos pelos líderes opositores dos departamentos (leia-se províncias) de Santa Cruz, Pando, Tarija, Chuquiasca com depredação de gasodutos, podendo inclusive afetar o abastecimento do produto no Brasil e a invasão de prédios públicos por jovens brancos de classe média num evidente processo de sabotagem do governo Evo Morales, vêm a nos comprovar que realmente a História se repete como caricatura.

Estive na Bolívia em duas ocasiões, na primeira em 1998, passei alguns dias em La Paz e pude presenciar como esse país é importante no contexto latino-americano tanto por sua posição geográfica (não é a toa que Che Guevara resolve estabelecer uma guerrilha no país como foco de um epicentro revolucionário), como por ser um país de base cultural indígena riquíssima (Aymarás e Quéchuas) e de mazelas sociais típicas da nossa maiúscula América (termo utilizado por Fuser e Granado em suas andanças pelo continente latino americano).

Numa outra ocasião estive em Puerto Soarez na fronteira com Corumbá (MS) onde conheci uma família de classe média que destilava onde ódio aos índios do altiplano, principalmente Evo Morales ameaçando até deixar o país, numa evidente demonstração de rancor e racismo.

Baseado nessas experiências e leituras pude perceber, que a Bolívia hoje é um país dividido entre a população das “áreas mais baixas” como o Departamento de Santa Cruz onde boa parte da população é branca e de classe média e as “áreas altas” como os índios do altiplano andino.

Bastou a chegada ao poder de um líder das “áreas altas” com medidas visando reparar as injustiças históricas contra uma população pobre que nunca conseguiu se beneficiar das riquezas naturais extraídas do seu próprio país para que as mesmas forças que derrubaram Allende em 1973 começassem a agir da mesma forma, com os mesmos métodos e com o mesmo apoio externo. O curioso é que a mais recente vitória de Evo Morales no referendo ampliou sua base de apoio e causou desespero nos setores privilegiados da sociedade boliviana cogitando até na possibilidade de um viés separatista.

Sendo assim podemos dizer que o acerto advém, entre outras coisas, do conhecimento vivências passadas e através delas buscar não repetir os mesmos erros, portanto será necessária a mobilização das forças populares na Bolívia e dos governos latino americanos não comprometidos com o imperialismo para intervir rapidamente para que a História na nossa querida Bolívia não se repita como tragédia.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

CONFUNCIO E PEDRO BIAL

Assisti semana passada a abertura das atuais olimpíadas na China pela rede globo com uma mistura de grande emoção e intensa irritação.

A emoção obviamente proporcionada pelo espetáculo realizado por uma civilização de mais de 5.000 anos, puder ver Confúcio na sua mensagem de paz, harmonia na relação do homem com a natureza e de respeito aos idosos.

Vi também a força de um povo através dos seus tambores, demonstrando que nunca mais será subjugado por nenhuma nação ocidental como foi durante o século XIX na chamada guerra do ópio promovida pelos “civilizados” ingleses.

Essa força ficou claramente demonstrada na bandeira vermelha hasteada com cinco estrelas demonstrando a unidade do povo em torno do partido comunista e na hora em que o estádio levantou-se para cantar a “marcha dos voluntários” criada durante a resistência chinesa a ocupação japonesa durante a década de 1930 e que se inicia com o chamado “de pé os que não querem ser escravos”.

Fiquei emocionado, pois acredito numa civilização de mais de 5.000 anos que apesar dos imensos problemas gerados também pelo seu espetacular crescimento econômico, tirou 400 milhões de pessoas da linha da miséria nos últimos 20 anos e que mantem uma política comercial e de investimentos de superávit com os países ricos e de déficit com os países pobres.

Acredito que a China tem muito a ensinar ao mundo e com certeza será a nação hegemônica na metade do presente século devido a uma abertura comercial e investimentos multinacionais, mas numa estratégia de absorção de tecnologia, investimento maciço em educação e infra-estrutura sob o comando de um forte poder central.

Essa nação será capaz de enfrentar o poder assassino do imperialismo norte americano e criar uma nova correlação de forças entre as nações hegemônicas, bem ao contrário daquilo que os arautos da nossa impressa vendida e bandida afirmam quando sempre se referem à China de forma negativa durante esses jogos.

Alias insuflando um movimento que deseja implantar um governo teocrático e escravista no TIBETE sob a batuta de DALAI LAMA que, sem dúvida, atende aos interesses da CIA para criar um “estado tampão” fantoche dos EUA para fragmentar território chinês, eu pergunto para os meus botões por que a impressa comprada não comenta a respeito das torturas em Guantanamo e porque não reivindica a devolução de territórios do oeste dos EUA ao México?


Acredito nessa civilização e na humanidade e assim como dizia Gramsci um pouco antes de sua morte no cárcere “o socialismo deslumbra horizontes o capitalismo o estreita”.

Em relação ao Pedro Bial? Deixa pra lá, é melhor ele continuar apresentando Big Brother.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Lembranças da amiga Lizzy e a quarta frota

A minha história começa lá pelos idos de 1996, em pleno 4 de julho, estava em Washington D.C., com uma amiga estadunidense que havia feito intercâmbio no início dos anos 1990 na USP, o fato é que lá pelas tantas começou uma discussão a respeito da guerra do Vietnã entre eu, ela e mais duas amigas dela, eu afirmando que a guerra se estendeu mais do que deveria (isso porque não quis dizer em pleno 4 de julho, que eles haviam “tomado pau” naquele país), a discussão terminou quando ela afirmou de forma categórica que eu tinha um rancor pessoal, pois havia sido humilhado no aeroporto de Atlanta quando me revistaram a ponto de me deixarem de cueca e porta dólar e que eu, ao expor esse ódio, a deixara muito magoada, sem contar que a partir daquele momento ela e as amigas falavam inglês mais rápido para que eu ficar de fora mesmo, me sentia um verdadeiro autista.

O nome dessa minha amiga é Lizzy Perry, ela é natural do estado de Winconsin e hoje está casada e mora em Michigan, pelo menos essa foi a ultima notícia que tive dela, ela foi uma grande amiga mesmo, passamos um ano maravilhoso aqui no Brasil, ela adorou tudo aqui desde a feijoada no bar do filé até os jogos do Coringão, pois se tornou fanática pelo time chegando a ir ao estádio sozinha em um raro jogo em que não pude comparecer, porém os atritos e divergências ficaram evidentes naquele 4 de julho, talvez pelo de termos visitado naquela manhã, o memorial da guerra do Vietnã onde o nome de todos os combatentes mortos estava presente num enorme mural e ela por coincidência achou o nome de um tio dela de Winconsin e ficou emocionada, sem ser insensível com o sentimento dela, eu só pensei ( mas não disse) que para cada nome no mural havia pelo menos de 15 a 2O vietnamitas mortos naquele confronto.


Naquele 4 de julho sinceramente me senti mau, pensei até antes de dormir que poderia antecipar minha volta, mas engoli a seco e no outro dia já estava “tudo bem”, o principal argumento dela é que os EUA foram defender a liberdade do Vietnã e que um país de tão pouca expressão no cenário internacional como o Brasil nem fazia idéia do que representava isso, ela tentava me convencer que o “o povo escolhido” tinha esse direito como estava está escrito desde o “Destino Manisfesto” e no roteiro de filmes como “Independence Day “, por outro lado, tentei afirmar que o contexto da Guerra do Vietnã estava contido na lógica da Guerra Fria e que jamais tinha tido rancor ou ódio em relação aos estadunidenses comuns e o que me causava raiva era a política externa dos EUA.


Esses dias lendo duas reportagens (nos jornais Lê Monde Diplomatique e Estadão) a respeito da reativação da quarta frota americana na América do Sul lembrei da minha amiga Lizzy Perry, se tivesse oportunidade, além de dar um enorme abraço nela e relembrar os tempos de arquibancada, poderia fazer algumas perguntas a ela:

1) Se os EUA defendem tanto liberdade, porque mandaram um porta aviões ao litoral brasileiro, preparado para desembarcar no porto de Santos, caso houvesse resistência ao golpe no dia 31 de março de 1964? Conforme revelou o jornalista Marcos Sá Correa em 1976.

2) Por que os EUA, através da CIA, patrocinou todos os golpes militares na América Latina durante os anos de 1960 e 1970, incluindo o golpe em cima do presidente democraticamente eleito Salvador Allende no Chile, instalando-se a mais cruel e assassina ditadura desse continente?

3) Por que os principais meios de comunicação dos EUA se pronunciaram favoravelmente ao golpe de três dias imposto ao presidente Chaves, igualmente democraticamente eleito na Venezuela?

4) Por que os EUA recentemente resolveram criar uma base militar no Paraguai? Será que é para combater as atividades do Al Quaeda na tríplice fronteira (Brasil, Paraguai e Argentina) como diz o pentágono? Ou será que é por causa da maior reserva de água subterrânea do mundo na região, o chamado Aqüífero Guarani?

5) Por que os EUA resolveram reativar a quarta frota militar com vistas à “proteção” da América do Sul? Já sei deve ser para combater os representantes do “eixo do mau” representado pelos “demônios” Chaves, Morales, Corrêa e Fidel Castro né amiga? Engraçado, mas tenho uma leve desconfiança que as reservas de petróleo da Venezuela ou as recém descobertas no litoral brasileiro (estimadas de 30 a 50 bilhões de barris), a grande biodiversidade da Amazônia e as grandes reservas de água podem estar relacionadas a isso.


Mas sinceramente acho que estou enganado e que tudo isso não passa de um rancor ou mesmo cisma minha pelo fato de ter sido “humilhado” em Atlanta ou pode ser como alunos “bem nutridos” que afirmavam sempre que eu sou “do contra”, realmente talvez seja isso mesmo.

terça-feira, 15 de julho de 2008


Esse novo blog que está nascendo hoje, é fruto de reflexões a respeito da importância do mesmo, no início acreditava que "essa coisa de blog" era destinado para adolescentes, substituindo assim as chamadas agendas "secretas", principalmente de garotas na faixa entre 12 e 16 anos, portando não seria algo lá muito apropriado para esse cidadão que vos escreve agora.

Porém após as eleições de 2006, confesso que de forma já tardia, começei a perceber que os chamados "blogs alternativos" representavam de forma de livre e democrática, uma alternativa, em termos de fonte de informação, ao chamado discurso único da mídia oficial.

Confesso que aprendi muito principalmente com os blogs dos jornalistas Luís Nassif, Bob Fernandes, Mino Carta, entre outros, que enfrentam o discurso pronto da "PORCA MÍDIA OFICIAL"Pretendo, nesse pequeno espaço, expor um pouco daquilo que estava restrito ao "universo" dos meus pensamentos, das minhas aulas e das conversas com amigos mais próximos.

Na verdade, prentendo sociabilizar minhas reflexões, angustias, alegrias e emoções a respeito dos assuntos que mais norteiam meus pensamentos.


Esse espaço é democrático, seja bem-vindo.


Gordo.