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segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O "ESPÍRITO" DA ELEIÇÃO"

Como Kassab ultrapassou Marta em São Paulo
O jornalista Mauro Carrara escreve sobre uma reveladora experiência de rua no domingo da eleição na maior cidade do país. "Já são 18h20... Alguém grita do interior da casa: "o Kassab está ganhando". Os três jovens urram de prazer. Está se iniciando a longa noite até o segundo turno".
Mauro Carrara*
Conforme costume antigo, costumo visitar velhos amigos em dias de eleição. Perambulo pela cidade à procura do "espírito" da eleição, pois, sim, cada uma tem o seu, das barbadas aos prélios mais renhidos.Desde cedo, notei certa tendência de defecção nos redutos "progressistas". Havia nos fundos do Tucuruvi um jovem negro, em trajes de grife surfe, distribuindo discretamente santinhos de Kassab. Vejam bem, ele não fazia campanha para um candidato à vereança, mas para o majoritário. Só.O rapaz é estudante do terceiro ano do segundo grau, comprou recentemente seu primeiro computador, a crédito. O pai é vigia (conseguiu carteira assinada há três anos) e a mãe é diarista. Ele atualmente não trabalha regularmente. Nos fins de semana, atua como assistente de som em bailes na região dos Jardins. É o típico emergente da nova classe C.João (vamos chamá-lo assim) afirma que o governo Lula "acostuma mal os vagabundos" com o Bolsa Família. A mãe sempre votou em Marta, mas o pai costuma odiar qualquer petista. "Meu velho não quer saber do casamento gay em São Paulo, nem eu", sentencia, alisando a sobrancelha. Mais tarde, encontro-me na região do Jardim Aricanduva, na Zona Leste. Márcia (vamos chamá-la assim) come uma coxinha num bar próximo a uma escola estadual. Vai votar em seguida.Tem uma colinha de Kassab (DEM) e de um candidato a vereador do PSDB.- Vai votar em quem?- Dessa vez é no Kassab - revela a moça, que graças ao crescimento da renda familiar (ela e dois irmão conseguiram emprego nos últimos três anos) pôde matricular-se numa faculdade privada.- Por que nele? - É o menos pior...- E pra vereador?- Voto é segredo. Mas vai ser no PSDB. Um amigo da faculdade me indicou. É um cara que escreveu vários livros de auto-ajuda.- É o Chalita (ex-secretário estadual de educação)?- A gente precisa de pessoas cultas na Câmara. Esse aí é o melhor escritor do Brasil.- O que você já leu dele?- Ainda não li, porque não tenho tempo. Mas esse meu amigo diz que é muito bom.- A Marta era mais forte por aqui, não era?- Era, mas ela fez o apagão aéreo e mandou o povo gozar depois do estupro. Tem como uma pessoa passar uma hora, uma hora e meia, esperando o avião?- Como?- O povo ficar horas esperando o avião...- É chato mesmo - respondo. - Mas você já viajou de avião? - indago.- Nunca. O mais longe que fui na vida foi para Mongaguá (litoral sul).- Entendo. E o trânsito em São Paulo?- Péssimo. Entre metrô e ônibus, fico umas 4 horas e meia no transporte, todo dia. Não anda.- E de quem é a culpa?- Sei lá... Tem muito carro na rua. Precisava fazer alguma coisa.- E você não acha que o Kassab tem alguma responsabilidade nisso?- (silêncio)... Não sei. Não parei para pensar.- Isso afeta sua vida, não?- Muito, mas a gente tem que lidar com isso...Quase cinco da tarde, na região dos Jardins. O filho de um amigo chega da votação com três colegas. O rapaz é o único que votou em Marta Suplicy. Dos colegas, dois preferiram Kassab. O outro votou em Geraldo Alckmin.- Na verdade, eu e toda minha família somos malufistas, mas o Kassab é o único que pode ganhar dessa "vaca" da Martaxa - diz Paulo (vamos chamá-lo assim), exaltado.- Sim, as taxas devem ter prejudicado muito sua família... - pondero.- Meu pai fez a empresa dele sem ajuda de ninguém. A gente tá cansado de pagar os impostos que o PT inventou. Cada dia tem um imposto novo.- Que imposto novo?- Vários. - Mas quais?- Vários. Tudo para sustentar vagabundo nordestino. E olha que eu não sou nem um pouco racista. Tenho até amigo japonês, negro, de todo tipo. Mas com esse negócio de bolsa, o cara se acostuma a não trabalhar e fica tomando cachaça o dia inteiro. É preciso ensinar o cidadão a pescar, e não dar o peixe.- Mas o Bolsa Família está integrado a vários projetos de promoção e inclusão. Tem a contrapartida educativa... - tento argumentar, quando sou interrompido.- Tem nada. Isso aí é coisa da mídia que o Lula comprou.- Mas a mídia costuma ser contra o presidente - afirmo.- Nada disso. O senhor viaja muito, pelo que eu sei, não é? Aqui, eles inventam pesquisa para dizer que a vida do povão melhorou. Melhorou nada.- Mas e os dados do Ipea, do IBGE?- Eu estudo Administração. Isso é tudo mentira.- Quer dizer que o país não melhorou em nada?- Esse semi-analfabeto deu sorte. Aproveitou o Plano Real e o crescimento da China... Agora, quero ver. Estou só esperando para ver o que vai acontecer. E vou dar risada.- Mas o país não estava muito bem em 2002 - intervenho.- O PT é o "partidão", não é?- Não que eu saiba - respondo.- É sim... Eu abri os olhos de muito colega sobre esse comunismo disfarçado aí... Nessa eleição, eu convenci muito petista a votar no Kassab.- Quem?- O nosso motorista, o jardineiro que vai lá em casa...Já são 18h20... Alguém grita do interior da casa: "o Kassab está ganhando". Os três jovens urram de prazer. Está se iniciando a longa noite até o segundo turno.

domingo, 5 de outubro de 2008

32 mais 32 igual a 64

A cidade de São Paulo é uma espécie de pequena amostra da formação social do nosso país, aqui se reúnem cidadãos de todas a s partes do país e do mundo em busca de oportunidades, talvez o que traduza a identidade dessa cidade seja justamente esse mosaico plural de etnias.

Entretanto na minha cidade natal surgiu e proliferou a elite mais reacionária e anti-nacionalista presente em nosso Brasil, algumas interpretações tentam elucidar o fenômeno, como por exemplo, a formação de uma elite comerciante no século XIX durante as exportações de café muito mais interessada e antenada ao comércio com os ingleses e o consumo opulento nos padrões europeus do que num desenvolvimento endógeno

Outra interpretação está relacionada aos imigrantes que vieram a esse rincão e prosperaram no período de grande crescimento econômico e industrial entre as décadas de 1930 e 1980 transformando-os em pequenos “self-made-mans”, isto é, uma classe média pequena proprietária e orgulhosa dos seus “feitos” e avessa a qualquer mudança social ou causa coletiva.

Uma análise histórica dos momentos cruciais da vida política nacional nos remete a entender de forma emblemática o comportamento desses setores da sociedade paulistana como o próprio movimento de 1932, apesar de ser aparentemente um movimento democrático, tinha um caráter saudosista em relação à política oligárquica da velha república do café com leite, o curioso nesse caso é que a revolução varguista de 1930 teve um caráter altamente modernizador do qual impulsionou a própria economia paulista.

Outro momento emblemático foi o golpe de 1964, um dos episódios mais tristes da história do nosso país, onde nunca é demais lembrar, teve seu respaldo e impulso final quando nobres senhoras católicas realizaram a passeata “Deus e a família pela liberdade” liderada por Leonor, primeira dama do governo do Estado, além é claro do forte apoio do jornal O Estado de São Paulo a marcha que acelerou o processo que culminou na “revolução” de 31 de março.

Em 1989, lembro como se fosse hoje do apoio entusiasmado a Fernando Collor, iniciando o processo de domínio do mercado financeiro nas decisões nacionais, contando obviamente com o deslumbre da elite e classe média de São Paulo, talvez o que esses setores médios nem desconfiam é que eles foram vítimas desse processo de desnacionalização da economia nacional.

Também nunca é demais lembrar que esse caldo sócio cultural criou alguns fenômenos políticos como o Adhemarismo, Janismo e mais recentemente o Malufismo.

Outro detalhe a ser lembrado é postura elitista da própria Universidade de São Paulo que entre outras “obras” renegou o passado varguista criando a idéia de populismo, além de ter sido parte do berço do PSDB e a “banda podre” do próprio PT.

Agora em 2008, os mesmos estão “ouriçados” com Kassab, também pudera eles estão com os nervos a flor da pele com alta popularidade do presidente Lula!

Enfim essa é minha cidade e minha realidade. Quem sabe eu tenha mais sorte na próxima encarnação?

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

O 11 DE SETEMBRO NO ALTIPLANO

Já ouvi dizer que a História se repete como caricatura e de fato ela vem se repetindo nesses confins latino-americanos, exatamente hoje faz 35 anos que a experiência democrática e socialista foi interrompida no Chile por uma ditadura cruel comandada por um covarde e repugnante (camundongo lacaio, como, aliás, existem muitos por essas bandas tupiniquins) ser chamado Augusto Pinochet numa conjuntura que envolveu a elite econômica do país, a chamada classe média chilena com suas respectivas forças políticas, no caso a democracia cristã e o partido nacionalista, além do apoio evidente da CIA naqueles anos de guerra fria.

O curioso é que o processo de radicalização das forças de direita no Chile chegou ao seu viés mais violento diante do desespero das mesmas, após a ampliação da base de sustentação da Unidade Popular –U.P. (base de apoio do governo Allende), durante as eleições municipais dois anos depois, em que a mesma U.P., conseguiu eleger Allende com 34% dos votos válidos.

Pois bem, os acontecimentos graves ocorridos esses dias na Bolívia promovidos pelos líderes opositores dos departamentos (leia-se províncias) de Santa Cruz, Pando, Tarija, Chuquiasca com depredação de gasodutos, podendo inclusive afetar o abastecimento do produto no Brasil e a invasão de prédios públicos por jovens brancos de classe média num evidente processo de sabotagem do governo Evo Morales, vêm a nos comprovar que realmente a História se repete como caricatura.

Estive na Bolívia em duas ocasiões, na primeira em 1998, passei alguns dias em La Paz e pude presenciar como esse país é importante no contexto latino-americano tanto por sua posição geográfica (não é a toa que Che Guevara resolve estabelecer uma guerrilha no país como foco de um epicentro revolucionário), como por ser um país de base cultural indígena riquíssima (Aymarás e Quéchuas) e de mazelas sociais típicas da nossa maiúscula América (termo utilizado por Fuser e Granado em suas andanças pelo continente latino americano).

Numa outra ocasião estive em Puerto Soarez na fronteira com Corumbá (MS) onde conheci uma família de classe média que destilava onde ódio aos índios do altiplano, principalmente Evo Morales ameaçando até deixar o país, numa evidente demonstração de rancor e racismo.

Baseado nessas experiências e leituras pude perceber, que a Bolívia hoje é um país dividido entre a população das “áreas mais baixas” como o Departamento de Santa Cruz onde boa parte da população é branca e de classe média e as “áreas altas” como os índios do altiplano andino.

Bastou a chegada ao poder de um líder das “áreas altas” com medidas visando reparar as injustiças históricas contra uma população pobre que nunca conseguiu se beneficiar das riquezas naturais extraídas do seu próprio país para que as mesmas forças que derrubaram Allende em 1973 começassem a agir da mesma forma, com os mesmos métodos e com o mesmo apoio externo. O curioso é que a mais recente vitória de Evo Morales no referendo ampliou sua base de apoio e causou desespero nos setores privilegiados da sociedade boliviana cogitando até na possibilidade de um viés separatista.

Sendo assim podemos dizer que o acerto advém, entre outras coisas, do conhecimento vivências passadas e através delas buscar não repetir os mesmos erros, portanto será necessária a mobilização das forças populares na Bolívia e dos governos latino americanos não comprometidos com o imperialismo para intervir rapidamente para que a História na nossa querida Bolívia não se repita como tragédia.

domingo, 24 de agosto de 2008

Che Guevara e a água nos moinhos do imperealismo.

Che Guevara e a água nos moinhos do imperialismo

A simbologia em torno do velho guerrilheiro atinge um significado impar nesse início de século XXI, vejo pessoas, empresas e até grifes famosas utilizando-se da sua imagem numa apologia a rebeldia e a eterna juventude, é bom dizer que lá se vão 40 anos após a sua morte, portanto sua imagem já congelada permite várias interpretações e utilizações.

O grande significado de seu legado persiste, em nova visão, na continuação da luta e na construção de um novo paradigma para uma sociedade mais justa.

Na nossa visão não adianta nada, idolatrar o comandante, sem ter muito claro quais são as correlações de forças presentes no mundo contemporâneo, vejo muita gente supostamente de esquerda criticar as “mazelas” da formação social chinesa, como o “desrespeito” aos direitos humanos, a “invasão de produtos piratas”, a poluição e a questão do Tibete.

Essa falsa esquerda cansa de repetir o discurso da mídia tupiniquim vendida que utiliza imagens e interpretações vindas das chamadas agências internacionais de informação “tipo CNN” ou “FOX NEWS” e nem ao menos percebe que joga mais água ainda nos moinhos do imperialismo e dos atores hegemônicos do período atual.

Seria importante nos perguntarmos em relação aos dois grandes países que adotaram o regime socialista, porque a antiga URSS naufragou e porque a China desponta já hoje como a terceira potência mundial caminhando a passos largos para primeira posição (é bom lembrar que a China era a trigésima sexta em 1978).

A China teve um extraordinário crescimento nos últimas décadas desde a reforma imposta em 1978 por Deng Xioping, quando o país ainda passava por enormes dificuldades econômicas, uma década depois da desastrosa experiência da revolução cultural na década de 1960 e dois anos após a morte de Mao Tse Tung em 1976.

O objetivo principal do planejamento chinês era alcançar as economias do ocidente na virada do século e atingir o mais alto padrão de vida cultural e material do planeta por volta do ano de 2050.

Para isso, primeiramente, o governo central lançou a estratégia de equacionar o problema do campo na China, já que esse país de 1,3 bilhão de habitantes possui cerca de 60% de sua população na área rural, haja visto também a enorme força política do campesinato chinês, fato comprovado tanto na revolução socialista de 1949, quanto na heróica resistência na segunda mundial ou mesmo nas inúmeras dinastias derrubadas no período imperial pré 1911.

Acreditando na idéia de que num regime socialista as pessoas podem “ganhar mais” através do seu próprio trabalho, o governo chinês permitiu a comercialização dos excedentes agrícolas fazendo com que a produtividade no campo aumentasse a partir de então, coisa que, aliás, não foi realizada na antiga URSS, que tinha suas terras totalmente coletivizadas.

Ao mesmo tempo, visando tirar da extrema pobreza milhões de camponeses, o governo começou a criar no campo, áreas produção de bens de consumo leves (principalmente roupas, calçados e tecidos), que com uma alta produtividade começou a “invadir o mercado mundial”.

A partir da “invasão” desses produtos “made in China” dezenas de multinacionais começaram a investir no país, ou seja, o que se costuma afirmar em relação aos produtos piratas ou não, é fruto do planejamento chinês e de investimentos das próprias multinacionais que acabou gerando renda aos camponeses do país mais populoso do planeta.

Agora eu mesmo me pergunto. De que outra forma a China poderia equacionar o problema de emprego para milhões de camponeses?

Muito se diz em relação à exploração de trabalho na China, pois bem, é importante frisar que os excedentes de lucros na China é reinvestido na construção de grandes obras de infra-estrutura que vêm impulsionando o crescimento daquele país como as grandes ferrovias, os aeroportos, portos, eletrificação rural, o metro das grandes cidades como Pequim e Xangai e entre outras gigantescas obras de infra-estrutura a construção da maior usina hidroelétrica do mundo (Três gargantas) que ficará pronta em 2009.

Nenhum país consegue crescer economicamente sem construir grandes infra-estruturas, é bom lembrar que a China produz 40% da produção de aço do planeta (o aço é um dos maiores indicadores do crescimento econômico de uma país)

Apesar da mão de obra ser barata, é evidente o aumento do nível de vida no país, pois o governo concede empréstimos à população mais pobre a juros baixíssimos devido a sua alta poupança interna, conseqüência do constante superávit nas suas relações comerciais com o ocidente, principalmente os EUA.

No próximo texto irei comentar como a China absorve tecnologia do ocidente a partir da criação das chamadas “zonas econômicas especiais”.

Podemos já adiantar que a China não é apenas um “celeiro de produtos piratas” como alguns papagaios dizem por aí.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Lembranças do Moncada em tempos de globalização II

Quando o assunto é Cuba sempre surgem polêmicas e questionamentos, na verdade essa ilha de um pouco mais de 10 milhões de habitantes possui uma notoriedade bem acima daquilo que ela representa em termos de extensão geográfica e populacional.

Aposto que todos já discutiram (a favor ou contra) ou já presenciaram alguma discussão a respeito desse pequeno país, o fato curioso é que isso não ocorre em relação aos países vizinhos, que alías possuem as mesmas potencialidades de Cuba, tais como Porto Rico, Bahamas, Haiti, Rep. Dominicana, entre outros. Por que será que isso ocorre??

Na nossa interpretação Cuba possui essa capacidade ou essa "aura" de gerar polêmica justamente por ter feito escolhas em momentos cruciais da História e ter enfrentado a maior potência imperialista (o termo é adequado sim ) de todos os tempos, os Estados Unidos.

Portanto, apesar de despertar paixões em todo mundo, Cuba é estrangulada tanto do ponto de vista material (através do bloqueio comercial) quanto do ponto de vista ideológico, sendo alvo da maior campanha contra um país já feita na História do século XX feita pela industria de propaganda ideológica (vide Hollywood) dos EUA e pelos exilados cubanos em Miami, que alias é formada por grandes proprietários de terra da época de Fugêncio Batista constituindo-se assim num grupo de exilados reacionários e até facistas, tendo entre outros feitos, colocado Bush Júnior á frente da Casa Branca nas polêmicas eleições de 2000.

O fato é que, no nosso modo de entender, não podemos cobrar de Cuba uma certa normalidade democrática e institucional, sendo que esse país vive em estado de sítio desde a crise dos mísseis em 1961, sendo constatemente ameaçado pela força (em todos os sentidos) e boicotado nos fóruns internacionais por ter simplesmente ter escolhido seu próprio caminho.

Problemas existem é claro e Cuba possui muitos, porém essa pequena ilha têm um grande espaço no coração de milhões que sonham com um outro mundo possível, Cuba é sempre apaixonante pois além de possuir um povo acolhedor, representa o contraponto ao que está colocado hoje, principalmente nos últimos anos de "Globalização Perversa" onde o avanço técnologico cresceu, porém a pobreza, a exclusão e a miséria se multiplicou.

Cuba também representa de uma certa forma a resistência a competitividade destrutiva, ao individualismo banal e a lucratividade á qualquer custo do verdadeiro cassino que virou os chamado mercado financeiro global.

E é por isso mesmo que Cuba desperta tanto ódio, por justamente representar essa oposição ao concenso, de um país que apesar dos problemas, exporta milhares de médicos para prestar serviços em países de terceiro mundo, produz verdadeiros compeões mundiais (é bom lembrar que os mesmos só são assediados porque tiveram uma execpecional preparação esportiva no país como em nenhum outro do terceiro mundo), possui os melhores indicadores socias da América Latina e coloca o homem e suas imensas potencialidades como principal fonte de preocupação.


Sabemos também que essa ilha necessita de reformas econômicas visando superar suas dificuldades, porém isso só ocorrerá com sucesso, se o país buscar essas soluções sem abandonar as conquistas do socialismo (NÃO PRECISAMOS TER VERGONHA DE FALAR ISSO), buscando intercâmbio com vários países tais como a China, a Venezuela e até o Brasil, por que não? e não virando novamente uma colônia como querem os mafiosos exilados de Miami e os lacaios espalhados pelo terceiro mundo.

Com a palvara as nossas gerações de Cuba.

sábado, 26 de julho de 2008

Lembranças do Moncada em tempos de "Globalização" (parte I)

Lembranças do Moncada em tempos de “Globalização” (PARTE I)


Hoje é o dia mais importante do calendário nacional de Cuba, há exatamente 55 anos um grupo de guerrilheiros liderados por Fidel Castro tentaram, sem sucesso, assaltar o quartel de Moncada ao sul da Ilha dando inicio a um processo que culminou no primeiro de janeiro de 1959 com a derrubada do governo FANTOCHE de Fugêncio Batista.

Lembro-me como se fosse hoje do dia em que desembarquei em Havana próximo do natal de 1996, em pleno período especial daqueles difíceis anos na Ilha após a dissolução da antiga URSS, essa experiência ímpar no início foi estranha, pois desde a chegada ao aeroporto de Havana passando pelos passeios ao “Malecon” (não sei se é assim que escreve) ou mesmo por Havana Velha, a impressão era de que tudo parecia muito velho e desgastado desde os carros da década de 1950 as construções urbanas.

Confesso também o quanto foi “aventureira” a experiência de não ter itens como papel higiênico (usávamos jornal), de durmir numa cama onde se podia sentir as molas nas costas entre outros itens de “necessidade básica” .É importante esclarecer que ficamos hospedados na casa de cubanos, coisa que era permitida na época, sendo assim, posso dizer que minha experiência em Cuba foi, antes de mais nada, um aprendizado pessoal no sentido de conseguir enxergar a vida sob outros prismas que não a de um típico paulistano de classe média, ou seja, por mais que já soubesse que essa realidade é muito pior em muitos lugares do Brasil, fiquei “incomodado” com tais situações num país que sempre defendi e que sempre considerei como segunda pátria.

Essas situações nos colocam em xeque, hoje compreendo melhor o quanto fui babaca naqueles primeiros dias de viagem, a ponto de não entender a vida na sua complexidade e compreender o porque dessa situação em Cuba, além de não conseguir enxergar beleza além da vitrine de um shopping center, como muitas pessoas próximas que são míopes de realidade foram depois a Ilha e relataram coisas até “piores”.

É claro que o avanço tecnológico e material da humanidade é algo essencial para tornar a vida de todos melhor no sentido amplo da palavra, mas é necessário também perceber, que as variáveis da História e da Política é que nos levam a entender o abismo material entre poucos e muitos no mundo atual e não simplesmente um Karma espiritual ou coisa do gênero.

Conforme os dias foram passando comecei a observar e sentir algo que vai muito além de uma simples vitrine ou de uma fachada de Wall Mart da vida, algumas situações começaram a me fazer compreender Cuba na sua essência como, por exemplo, a garotinha da casa onde estávamos hospedados, que além de ser uma excelente pianista, nos brindou com uma bela “apresentação”, ou quando, por acaso encontrei uma adolescente na rua para pedir informações e ela me perguntou de onde eu era, quando soube que era do Brasil, a mesma demonstrou um enorme carinho (coisa comum em Cuba) e fez uma“breve” exposição sobre nosso país que muitos, mas muitos mesmo! aqui não saberiam esboçar, nas apresentações de balé clássico de graça aos domingos pela manhã ou até mesmo, nas conversas em ruas ou bares onde o “cubano comum” demonstrava uma enorme capacidade de compreender a realidade mundial, ficando evidente o enorme nível cultural da população.

Encerrando essa primeira parte gostaria de perguntar se essas situações descritas acima são vistas de forma extremamente corriqueira nas ruas da América Latina ou até do mundo inteiro num país de semelhantes condições materiais ou até superiores como o Brasil?